Às vezes o futuro é inesperado *・°

Aqui estou eu, mais uma vez!
A verdade é que como estou de férias fora de casa, e infelizmente a internet é escassa.

Antes de mais nada quero explicar que já tinha escrito isto há mais tempo, mas esqueci-me de terminar antes de ir de férias e tive que esperar uma semana para voltar a ter internet para conseguir enviar o post a tempo (amen era até dia 29, oof!). Ainda estou com internet limitada mas volto à minha vida normal após a primeira semana de agosto haha. Por agora estou a curtir a água gelada e anormal do Algarve e a comer mais uns quilos de areia graças ao vento super agradável!!

Anyway, vamos nós a mais um post do Together? Desta vez tive alguma dificuldade em escrever porque vou falar de um tema que ainda me afeta bastante e de várias maneiras. Mas achei que era uma boa maneira de desabafar e para mostrar a outras pessoas (mais direcionado a futuros estudantes universitários) o que eu passei neste processo bastante complicado e stressante que todos os estudantes passam quer queiram, quer não. É importante falar sobre o nosso próprio futuro como estudante; eu pessoalmente sinto-me desconfortável, sempre foi um tema sensível para mim e nunca o expressei de forma muito aberta. Penso que é porque não tenho ninguém próximo de mim que tenha passado por uma experiência igual à minha. Quase todos os meus amigos próximos e inclusive familiares tinham planos e certezas do que queriam fazer, a maioria arranjou-se e está feliz com tudo o que está a acontecer nas suas vidas.


Nunca dei muita atenção ao que queria fazer. Eu desde muito nova sempre fui aberta a todas as opções, gostava de simplesmente tudo. Quando me perguntavam o que queria fazer quando fosse grande dizia "Tudo!" com um grande sorriso e uma felicidade normal. A minha mente inocente acreditava mesmo que podia ser bailarina, veterinária, médica, pintora e astronauta ao mesmo tempo. Claro que como era miúda as pessoas achavam que era bom eu ter tantas opções, de ser alguém com um gosto abrangente pelas coisas; acreditavam mesmo que eu iria ter facilidade em pegar em qualquer futuro. Mas às vezes penso que teria sido melhor se desde cedo me tivessem dito que é preciso escolher com cuidado, afinal é uma decisão importante e que vai definir a maior parte da tua vida. Os anos foram passando com rapidez e eu ainda com as minha opções todas na mesa, abertas, ainda tudo por escolher até chegar ao 10º ano. Olhava para os cursos tecnológicos disponíveis pelo meu colégio e comecei a aperceber-me, precisava de escolher.

Claro que já o 8º/9º me perguntavam que curso pensava escolher no secundário e eu ficava confusa porque não fazia a mesma menor ideia do que fazer, mas quando estava com a minha mãe ela respondia sempre por mim "Ela vai fazer Análises Químico-Biológicas!" nunca me esqueço das pessoas a olharem para mim com um ar de orgulho, afinal era o curso mais complicado e mais reconhecido do meu colégio. Ah, não pensem que a minha mãe escolheu por mim, claro que falamos sobre o assunto, só que, nunca dei uma resposta em concreto. Ela fez-me a pergunta "O que queres fazer?" e eu não podia dizer "Tudo!" agora, por isso veio a resposta seguinte "Não sei". Então ela fez uma decisão acertada porque eu não sabia mesmo o que queria fazer e escolheu o curso que me desse um maior leque de opções para quando acabasse o secundário.

Quando comecei o secundário fiquei contente. Achei mesmo que ciências era o lugar para mim; tinha algumas dificuldades em química mas adorava biologia, era sempre algo interessante apesar de ser algo em que me tinha de esforçar para tirar notas decentes; era complicado estudar mas sempre ficava fascinada com a nova informação. Senti-me confiante, pensei mesmo que estava no sítio certo. Até que no 12º surgiram as dúvidas. Novamente o pânico surgiu quando me deparei com os stands de cursos universitários que apareciam no final do ano para os alunos conhecerem as faculdades e cursos em que queriam ingressar. Era bombardeada com papéis de publicidade e gente a perguntar-me "Estás interessada em engenharia?? Química? E que tal arquitetura?" era realmente sufocante e às vezes sentia-me de tal maneira apertada que pensava que ia ser esmagada. Eu e a minha mãe tivemos uma discussão longa antes dos exames nacionais; ela voltou-me a fazer a pergunta que tanto eu odiava "O que queres fazer?" e eu respondia-lhe "Não sei." e lá ela dizia "Pois, mas tens que saber." Isso é o que eu tenho andando a fazer estes anos todos. Não tenho culpa de não saber, simplesmente não sei.

Lembro-me de decidir o que escolher numa noite, uns quatro dias antes do exame de português se não estou em erro. Estava a ver um documentário da bbc vida selvagem (simplesmente adoro aquele programa) e sempre tive uma paixão enorme pelo mar. Toda a gente achava que eu era a "sereia" da família. Era a última a sair da praia, a última a sair da piscina, e a última... a sair do oceanário. Os animais aquáticos sempre foram algo que, não sei explicar! Faziam-me sentir alguma coisa, era mesmerizante ir aos oceanários vê-los tão perto, e eram sempre esse programas da bbc que deixava guardados no arquivo gravados. E então decidi... quero estudar biologia marinha. Quero ir para o mar e saber o mais do pouco que sabemos da vida aquática. Mas para quem não sabe o Porto tem muitos poucos cursos relacionados com isso, porque cursos decentes de biologia marinha só há no outro lado do país, no sul, ou seja Algarve. Não tinha (nem tenho) condições económicas para viver lá, nem consciência e experiência 0 de viver sozinha e tão longe dos pais. Provavelmente morreria com a minha ansiedade primeiro antes de começar qualquer coisa lá.

No entanto na altura de candidatar-me para o ensino superior encontrei o ICBAS, onde tinha um curso de "Ciências do Meio Aquático". Não era exatamente como Biologia Marinha mas era muitooo parecido. Foi a minha primeira opção e a segunda... procurei por mais aqui no Porto e não havia. Fiquei com medo porque as vagas eram muito poucas e os outros cursos eram muito longe de casa. A minha mãe sempre me ajudou na decisão e que se quisesse ir para Aveiro (lá era "Ciências do Mar") que me ia buscar sempre à estação de comboios, etc. Mas sabia que bem lá no fundo seria complicado fazer isso, seriam muitas horas de viagem perdidas em vez de estudar, e sabe-se lá o horário que me poderia calhar?

Então foi aí que decidi... na 2ª opção coloquei Geologia. Foi algo decidido espontaneamente. Afinal no secundário dei imensa geologia e até gostei. Mas estava tão confiante que ia entrar no ICBAS que quando fui ver os resultados levei uma chapada psicológica. Não entrei... por uma décima. Apetecia-me morrer essa semana toda; estavam todos os meus amigos a publicar no facebook que entraram nos cursos que queriam enquanto eu me mentalizava que não estava em Ciências do Meio Aquático, mas sim em Geologia. Fiquei confusa e perdida, mas mantive a calma porque sabia que poderia mudar de curso após o primeiro ano. Então decorreu o meu primeiro ano de faculdade, estava a gostar, gostei do 1º semestre e quando entrei no 2º abalou um bocado mas consegui manter o passo. O ano acabou e deparei-me com a pergunta "Vou mudar de curso?". Estava decidida que sim mas depois parei, e olhei para a minha família. Por favor nunca façam isto: para quem ainda não entrou na faculdade, não façam o mesmo erro que eu. Se querem aquilo, ou mudar para isto, façam porque querem e não porque acham que a vossa família não vai gostar. Não se sintam pressionados nem se comparem com os vossos amigos/familiares.

Quando parei para pensar na minha decisão deparei-me que ia ser a chacota da família. Os meus irmãos nunca tinham feito esta asneira; ambos escolheram, entraram na 1º opção e estão agora a trabalhar com o mestrado feito. Sem falar que o meu irmão mais velho fez dois cursos. Voltei a entrar em pânico, a pensar que os meus avós não iam gostar da decisão, que iriam dizer que tinha desperdiçado um ano para nada e 1000€ de propinas porque sim (sim são eles que estão a pagar a minha faculdade). Fiquei desanimada e não queria sofrer vergonhas, então decidi continuar... tornou-se muito complicado no 2º ano (este ano). Senti-me desmotivada para continuar e literalmente arrastava-me para fazer qualquer coisa, cheguei a alturas deste ano que senti que estava numa depressão, chegando mesmo a fazer coisas que nunca se devem fazer. Senti-me no ponto mais baixo da minha vida, e que nem esta porra de curso iria acabar. A ansiedade também não me ajudou nada e só piorava a situação. No entanto com muito trabalho e esforço consegui escapar-me este ano e passar à maioria das cadeiras. Comecei novamente a questionar-me... O que é que eu quero fazer? E se eu não gostar de biologia marinha?? O que faço?

"Então, vais trocar de curso?" respondi "Não". Vocês devem pensar que sou estúpida mas não, só falta um ano... não vou desperdiçar 2000€ para nada. Só mais um e depois volto a tentar biologia marinha. Mentalizei-me que é este o meu percurso. Tirar duas licenciaturas, acabar geologia e continuar com biologia marinha... e depois é fé em deus e trabalhar. Este foi o meu percurso, até agora. Fiz muitas asneiras, porque sou uma pessoa que é facilmente influenciável pelos outros. Fui influenciada pela minha família inteira, porque achei que se sou irmã de dois engenheiros e neta do grande engenheiro Cebola, então eu teria que seguir algo digno desta família. Era pressionada para ser médica e engenheira, duas coisas que absolutamente odeio, por isso tive que entender-me com qualquer coisa que me atraísse na área de ciências. Eu gosto de ciências! Mas acabo sempre por pensar para mim "E se gostasse de outra coisa?" Eu adoro artes... e se tivesse seguido artes? E se tivesse seguido, sei lá, teatro? E voltamos à questão em que comecei isto tudo.

"O que queres ser quando fores grande?"
"Tudo!"

Pronto amigos e é isto, o que eu quis dizer com esta história toda é que tenham calma na decisão e não se sintam pressionados. Nunca é tarde para mudar. Afinal tenho uma senhora de 30 anos a tirar o curso de Geologia na minha turma, né. Eu sou uma pessoa muito facilmente influenciada e deixei-me levar todos estes anos porque andei sempre à deriva das opiniões dos outros e nunca parei para pensar no que realmente devia fazer ou escolher; por isso não sejam como eu, a vida é curta por isso não vale a pena stressar com demasiada coisa. Claro que é importante saber o que devemos fazer (também não estou a dizer para andarem aí a brincar óbvio) mas acho que a nossa vida não é definida apenas pelo nosso curso ou profissão. Claro que faz grande parte, mas o que realmente importa é ter o apoio da família e dos amigos!

(Eita desculpem sou péssima a dar conselhos, mas love youu)

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